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Responsabilidade social pesa menos no consumo
Publicado em 25/06/2008 | Viviane Favretto

Cético, brasileiro ainda se interessa por práticas das empresas, mas atua menos na hora da compra

O técnico de estúdio cinematográfico Luiz Flávio Garcia de Lima, 33 anos, é do tipo que faz sua parte quando o assunto é garantir a sustentabilidade do planeta. Mas ele se preocupa com o fato de não ter acesso a informações sobre a procedência daquilo que consome ou de não saber exatamente como a empresa fornecedora atua. “Por exemplo, você compra um saco de cal e não sabe se a empresa que produz explora mão-de-obra ou polui o meio ambiente”, diz.

Lima é a personificação de uma conclusão importante a que chegou a pesquisa Responsabilidade Social das Empresas – Percepção do Consumidor Brasileiro, desenvolvida pelo Instituto Akatu e pelo Instituto Ethos: o brasileiro continua entusiasmado com a responsabilidade social e ambiental das empresas, mas está menos engajado em ações do que há alguns anos, discutindo e atuando menos no momento da compra.

Empresas ainda mantêm foco no curto prazo

O foco no curto prazo, que é o contrário do que propõe uma solução sustentável, ainda é um problema nas empresas brasileiras, diz a proprietária da Sincrony Consultoria em Gestão de Pessoas, de Joinville, Deise Engelmann.

Os dados da pesquisa apontam como razão para este comportamento o crescente ceticismo do consumidor em relação à concretização das ações de responsabilidade social e ambiental. Este ceticismo, aponta o estudo, “surge num cenário de ‘explosão’ do tema na mídia e de uma desconfiança do consumidor de que essas ações tenham uma motivação baseada apenas em marketing e imagem, bem como de que as empresas não comunicam com honestidade o que fazem em matéria social e ambiental”.

Lima lembra que “está na moda e dá retorno” para a empresa afirmar que tem responsabilidade social e ambiental. Por isso, ele sempre fica em dúvida se a empresa está sendo verdadeira ou se tudo não passa de “jogada de marketing”. Por isso, ele concentra seus cuidados ambientais nas pequenas atitudes, todos os dias. Optou por não ter carro e dá preferência à bicicleta em seus deslocamentos. “Pedalo há uns 12 anos”, conta. Ele trabalha das 16 às 22 horas e percorre os 10 quilômetros que separam sua casa, no São Braz, zona Oeste de Curitiba, do local de trabalho, nas Mercês, em aproximadamente 25 minutos.

O problema não é exclusivo do Brasil. A pesquisa dos institutos Akatu e Ethos constatou que em todo o mundo (olevantamento global é feito em mais de 20 países) não chega à maioria o porcentual de consumidores ativos em buscar informações sobre a responsabilidade social e ambiental das empresas e que as premiam ou as punem em função dessas ações. Os consumidores dos países desenvolvidos, conclui a pesquisa, tendem a avaliar o desempenho das empresas de forma mais crítica, enquanto os consumidores dos países em desenvolvimento tendem a ter uma visão mais positiva. Para aquelas empresas que não usam a responsabilidade social e ambiental como ação de marketing, aponta o estudo, essas conclusões indicam desafios importantes a serem vencidos. Um deles é o de se comunicar adequadamente com os consumidores, repassando informações suficientes sobre suas práticas de responsabilidade social e ambiental.

“Mais importante do que saber se esta ou aquela empresa está, de fato, praticando responsabilidade social e ambiental é comprar de forma consciente no sentido de comprar só o essencialmente necessário”, diz Deise Engelmann, dona da Sincrony Consultoria em Gestão de Pessoas, de Joinville. Segundo ela, a Simplicidade Voluntária é um movimento crescente no planeta, onde as pessoas se propõem a simplificar suas vidas em favor de uma boa qualidade de vida para o sistema. “De nada adianta comprar de empresas socialmente responsáveis e comprar em excesso, pois se todos tivessem acesso aos bens de consumo disponíveis para a classe média, precisaríamos de vários planetas para guardar tantas coisas e daí o planeta sofreria conseqüências não sustentáveis”, afirma.

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